O Livro do meu Pai !

Quando eu fico muito tempo sem escrever um texto aqui no blog, fico procurando um assunto que eu ache legal para voltar a escrever. Hoje achei um assunto MUITO legal e num momento bacana: Uma homenagem ao meu pai !

Meu pai é múltiplo !

Ele é Poeta, contador de causos, Médico, Advogado, Marido, Pai, avô, Irmão, Tio, cunhado, sobrinho e nas horas que sobram Engenheiro (Civil, mecânico e eletricista) e Empresário !

Impressionantemente, ele exerce todas estas funções com a maestria de quem o dia tem 48h e não 24 ! Acho que por isto ele não dorme antes das 2 da manhã, coitada da minha mãe !

De todas as suas ocupações, as que mais admiro são, é claro, a de Pai e agora a de Avô.  Todas são louváveis, sem dúvida, mas esta duas são especiais, por motivos óbvios !

Agradeço sempre a Deus pelo pai que ele me deu e se Deus me desse a chance de escolher um pai, eu o escolheria quantas vezes me fosse dada esta chance !

E agora como avô, meu pai é um herói ! Henrique fala todos os dias no ” Vovô Gelaldo” e a fazenda do meu pai é o paraíso para ele. Meu pai faz tudo que ele gosta e ainda vai almoçar de vez em quando com ele lá em casa ! O Vô tem cavalo, o Vô tem vaca, o Vô tem o Thor (Labrador da fazenda que ele brinca desde que nasceu!), o Vô tem Lagoa com peixe, o Vô da Cocoto quantas vezes ele pede, o Vô brinca de carrinho, o Vô deu um caminhão de madeira para ele que ninguém pode pegar, o vô é mesmo demais…

Mas agora, além de toda estas facetas acima, meu pai acrescentou uma nova: a de ESCRITOR !!

Não falo de livros técnicos e artigos, porque isto não teria graça de falar aqui neste espaço informal. Mas sim Escritor de Romance, de prosa, autor de um livro de memórias DELICIOSO de se ler !

Li numa sentada, pois para mim além da narrativa interessante sob a perspectiva dos olhos de uma criança, reconheci ali vários causos que já conhecia, vários personagens da vida do meu pai que já o ouvira falar, mas em fragmentos !

Ri muito com os casos do meu Tio Zé Maria, com as meninas paquerando os motoristas de ônibus de óculos Rayban e das travessuras do meu pai menino, fugindo pela janela do padre, diretor da escola onde ele estudava !

E me emocionei mais ainda, ao recordar dos meus avós, Vô Pessoa e Vó Antônia, lembrando do carinho do meu avô comigo e meu irmão e vendo que hoje a história se repete com meu pai e seus 3 netos !

Lembrei do presépio da minha avó na casa de Santa Luzia, na sala de visitas que nós meninos éramos proibidos de entrar para não bagunçar e nem quebrar nada, mas que entrávamos assim mesmo !

E mais que isto, entendi muito das crenças do meu pai em São Geraldo, sua religiosidade, da alegria com o presépio que ele monta na sala dele aqui na empresa religiosamente todos os anos na época do Natal, da aversão por canjiquinha e o porque do queijo e da Banana diários, gosto que eu também tenho !

Além de tudo, o livro é BONITO, bem diagramado e o bordado da capa foi feito por ELE ! Isto mesmo, meu pai sabe bordar e teve como modelo uma foto mostrando a Igreja da Santana e as casas são respectivamente do meu bisavô Carlos (com o teto vermelho) e a outra do bisavô Armando (lado Direito) !

As ilustrações do livro são aquarelas de fotos antigas dos locais que ele cita no livro, dos familiares e amigos daquele tempo e finaliza o livro com várias fotos já atuais com minha mãe, filhos e netos !

O livro ainda não foi lançado oficialmente. Ele ainda não se decidiu como será feito esta publicação.

Assim que ele resolver, conto para vcs aqui, meus amigos, porque sem dúvida, vale a leitura e a viagem no tempo !

Parabéns GOP, mais uma função para seu currículo e mais uma exercida com a maestria de sempre !

Te amo muito !

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OS GASTROCHATOS


Walcyr Carrasco

Sou guloso, não nego. Pesquiso receitas, descubro restaurantes. Gosto de comida de botequim bem feita e fujo de lugares onde a decoração é mais importante que a cozinha. Aprendi uma regra desde cedo: com peixes, vinho branco; com carnes, tinto. Mas regras existem para ser quebradas, na vida e no paladar. E por muito tempo deixei a intuição fazer a alegria de meu estômago.
Mas agora entrou em moda a harmonização. A escolha de um cardápio se tomou tão complexa quanto meu primeiro vestibular. 0 termo vem de harmonia. Segundo o dicionário Aurélio: “Conjunto ou sucessão de sons agradáveis ao ouvido; ciência da formação e encadeamento dos acordes.
Em gastronomia, significa conciliar bebidas com pratos. Na teoria, é lindo. Na pratica, uma chatice. Faz a alegria dos gastrochatos, que gostam de exibir dotes culinários. Esses tipos, tão em voga atualmente, gostam de falar difícil para mostrar que sabem mais.
Eis um comentário típico:
– Esse vinho mais encorpado, de notas vibrantes e muita personalidade, é ideal para acompanhar carnes com sabor intenso.
Deu para captar? É uma linguagem mais difícil de destrinchar que um peru de Natal! Eu me pergunto se a pessoa sabe o que esta falando. O que é realmente a personalidade de um vinho? Como resolver o dilema de um camarão, suave ou intenso, dependendo da receita? Fui a um jantar em um hotel em que, a cada prato, se servia um vinho diferente para, justamente, harmonizar. Lembro-me vagamente: fui carregado para meu apartamento.
No caso dos vinhos há uma tradição para combinar pratos e rótulos. Os enólogos conhecem o assunto. Mesmo sendo muito engraçados ao descrever vinhos de forma um tanto obscura. Antes de beber, fico torcendo o nariz em busca do tal “aroma levemente frutado” e depois estalo a língua a espera das “notas de cacau e madeira”. E aguardo o sabor “intenso e vibrante”: vou levar um choque e sair pulando? Quando recebo propaganda, penso: alguém acha que, se eu não entender, vai vender mais?
Mas e os azeites, chás e cafés? Não se pode mais escolher um bom extra-virgem para a salada. E preciso saber se combina, a origem, a característica… Já fui à degustação de azeites em que me fizeram provar uma colherinha de cada tipo. No final, se me dessem óleo diesel, não perceberia a diferença. Especialistas em chás insistem ate em harmonizá-Ios com meu estado de espírito. Ouvi o conselho de um especialista:
– A escolha do chá deve ser minuciosa, para pacificar sua alma ou despertar sua força interior…
Mais fácil bater na porta de um pai de santo!
E os cafés? Adoro tomar café desde garoto. Sempre fui feliz. Agora descobri que não passo de um ignorante. Tal como os vinhos, os tipos de café exigem conhecimentos enciclopédicos. Não são mais fortes ou fracos. Mas “aveludados”, “com notas de cereais”, “amadeirados”, “imensos”, “suaves” ou “persistentes”. Segundo a descrição dos vendedores, alguns “têm caráter”. Bem… Com tanta falta de gente com caráter, e bom saber que pelo menos o café tem!
Quando algum chato discorre sobre minúcias da harmonização, eu pergunto:
– E minha intuição, onde fica? E meu gosto pessoal?
Tudo bem: conciliar paladares tem seu valor. Mas não deve ser obrigação ou símbolo de status. Uma boa refeição é uma experiência de vida, que não pode ser reduzida a uma ciência exata de combinações de sabores. Para mim, a harmonização que conta é entre os amigos à mesa, onde a refeição e a bebida são parte do afeto que quero compartilhar.

Publicado em VEJA-SP em 23 de setembro de 2009

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