{"id":1117,"date":"2009-03-09T07:41:36","date_gmt":"2009-03-09T10:41:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cepa.blog.br\/?p=1117"},"modified":"2009-03-09T07:41:36","modified_gmt":"2009-03-09T10:41:36","slug":"aquela-parede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/?p=1117","title":{"rendered":"Aquela Parede !"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEste aqui \u00e9 o nosso banheiro\u201d, j\u00e1 foi logo mostrando o Marquinhos t\u00e3o logo cheguei \u00e0 minha morada de tr\u00eas semanas. \u201c\u00c9 o lugar mais quente da casa. Pode dormir aqui se quiser. Aqui ao lado est\u00e1 o ambiente com a pia e o chuveiro. Pois \u00e9, ficam em c\u00f4modos separados, mas \u00e9 um do lado do outro&#8230;\u201d Ironias a parte, realmente o banheiro era muito quentinho, pois o ambiente era min\u00fasculo e o aquecedor ocupava um espa\u00e7o consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Eu, atordoado, mal conseguia ensaiar as dire\u00e7\u00f5es da b\u00fassola. Ap\u00f3s estrear o banheiro, tentei abrir a porta, mas algo n\u00e3o funcionava. Senti um frio inesperado que invadiu dos quadris para cima. De fato, eu abrira uma janela que de t\u00e3o grande que era parecia porta. Por pouco n\u00e3o cometi o primeiro suic\u00eddio involunt\u00e1rio da hist\u00f3ria. Brincadeiras a parte, os primeiros dias de Friburgo foram intensos e desafiadores, dada a necessidade de entender o ambiente interno e externo que me circundavam. Entender o interno era mais premente.<\/p>\n<p>No segundo dia, j\u00e1 entendi que, seguindo direto da porta de entrada, havia uma escada e, ao seu final, um corredor que resolvia minha vida. Ao longo desse corredor, encontrava o quarto \u00e0 direita e o banheiro \u00e0 esquerda. Ou os dois banheiros, para ser mais preciso.<\/p>\n<p>Passado mais um pouco de tempo, essa percep\u00e7\u00e3o deixou de ser racional e se tornou intuitiva. Consegui transitar por aquele espa\u00e7o f\u00edsico e mental com boa desenvoltura e sem maiores racioc\u00ednios. Uma escada, um corredor; \u00e0 direita do corredor est\u00e1 o quarto. \u00c0 esquerda do quarto, na \u00f3tica de quem sai, est\u00e1 a escada. T\u00e3o certo e t\u00e3o l\u00f3gico. \u00c0 frente do quarto, um pouco mais para a direita, havia a porta que dava para o banheiro.<\/p>\n<p>Eis que certa noite resolvi levar o Brami para um passeio antes de dormir. N\u00e3o era a primeira vez que tomava tal iniciativa, embora ela tenha sido rara ao longo da viagem. Na pr\u00e1tica, ele fez seus passeios noturnos enquanto n\u00f3s volt\u00e1vamos para casa de algum lugar qualquer. Juntava-se o \u00fatil ao agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas naquela noite, como em outras tamb\u00e9m, voltamos mais cedo e decidi sair com o Brami. Sa\u00ed do quarto com a coleira em punho, mas passei no banheiro antes de come\u00e7ar a saga. Saindo do banheiro, chamei o Brami para colocar a coleira, mas ele se limitou a fazer hora com a minha cara, como em muitas ocasi\u00f5es. \u201cBrami!!!\u201d<\/p>\n<p>Nem barulho. Ser\u00e1 que ele desceu para revirar o lixo?<\/p>\n<p>Foi meu pensamento inevit\u00e1vel, pois n\u00e3o teria sido a primeira vez. Procurei ent\u00e3o chegar \u00e0 escada, que fica \u00e0 esquerda do quarto e \u00e0 direita do banheiro. Mas \u00e0 direita do banheiro fui dar em um outro quarto ou algo parecido. Cad\u00ea a escada? Voltei por onde vim, olhei para o lado.<\/p>\n<p>Havia uma parede com algo dependurado. Logo em adiante, a porta do meu quarto. Entrei no quarto e articulei a pergunta mais esquisita que j\u00e1 ousei fazer at\u00e9 hoje em minha vida: \u201cMarquinhos, a escada n\u00e3o fica \u00e0 esquerda de quem sai do quarto?\u201d Ele confirmou com uma voz pregui\u00e7osa, de quem j\u00e1 est\u00e1 quase no d\u00e9cimo sono, mas que nem por isso deixou de mostrar perplexidade. Achei melhor n\u00e3o insistir com o assunto, antes que meu companheiro de viagem se convencesse de que eu pirei de vez. Sa\u00ed do quarto; voltei facilmente ao banheiro.<\/p>\n<p>Refiz a estrada e ca\u00ed no mesmo v\u00e3o. E o Brami? Na certa est\u00e1 se fartando com o lixo. Volto a chamar com intensidade. Nessas alturas j\u00e1 n\u00e3o entendia mais nada. N\u00e3o havia mais direita nem esquerda, nem quarto nem banheiro. Meu corpo era a medida de todos os espa\u00e7os e j\u00e1 n\u00e3o conseguia encontrar sua pr\u00f3pria medida. Espalmei as m\u00e3os, estiquei os bra\u00e7os para um lado e para o outro, na tentativa de sempre manter contato com algo s\u00f3lido que n\u00e3o fosse eu. As pernas se esmeravam para percorrer todo aquele ambiente que, naquelas alturas, eu j\u00e1 desconhecia por completo. \u00c9 como se fosse necess\u00e1rio preencher todos os espa\u00e7os simultaneamente para que eu pudesse ali me sentir.<\/p>\n<p>E foi nesse af\u00e3 de me medir com as paredes que descobri que algumas delas se movem! Havia, na verdade, uma porta a divisar a escada e o corredor. Uma porta meio sem crit\u00e9rio, \u00e9 verdade, insolitamente com coisas dependuradas, tamb\u00e9m \u00e9 verdade, mas que estava ali e pela primeira vez eu a vira fechada. Para completar minha alegria, pouco antes de descobrir a porta, surge o Brami do fundo do corredor. Ele simplesmente ficou l\u00e1, assistindo ao dono sem esbo\u00e7ar nenhuma rea\u00e7\u00e3o. Enfim, j\u00e1 n\u00e3o se fazem c\u00e3es-guia como antigamente!<\/p>\n<p>Descobrir aquela porta foi uma experi\u00eancia quase m\u00edstica, que trouxe um al\u00edvio inestim\u00e1vel. Por um minuto achei que poderia estar louco. Por um minuto percebi quanto pode ser fr\u00e1gil o equil\u00edbrio de nossos esquemas mentais. Em um minuto percebi como os grandes desesperos podem derivar das pequenas coisas. Mas foi tamb\u00e9m em um minuto que percebi como as paredes podem transformar-se em portas.<br \/>\nEm suma, minha viagem vem sendo um constante transformar paredes em portas.<br \/>\n-=-=-=-=-=-=-=-=-=<br \/>\n<strong><em>Prezados amigos,<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Como muitos j\u00e1 sabem, encontro-me no final de uma aventura de tr\u00eas semanas em Freiburg, uma charmosa cidade no sul da Alemanha, quase divisa com a Su\u00ed\u00e7a.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Foram tr\u00eas semanas de aut\u00eantica vida estudantil, vivendo em uma esp\u00e9cie de rep\u00fablica bastante ex\u00f3tica.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>N\u00e3o ando com muito tempo para escrever detalhes, mas estou fazendo notas que h\u00e3o de virar um texto decente no futuro. Por ora, mando apenas um relato para ati\u00e7ar a curiosidade de todos. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Um grande abra\u00e7o gelado, Leo<\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\n<div class='watch-action'><div class='watch-position align-left'><div class='action-like'><a class='lbg-style2 like-1117 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='like' data-post_id='1117' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Like' \/><span class='lc-1117 lc'>0<\/span><\/a><\/div><div class='action-unlike'><a class='unlbg-style2 unlike-1117 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='unlike' data-post_id='1117' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Unlike' \/><span class='unlc-1117 unlc'>0<\/span><\/a><\/div> <\/div> <div class='status-1117 status align-left'><\/div><\/div><div class='wti-clear'><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEste aqui \u00e9 o nosso banheiro\u201d, j\u00e1 foi logo mostrando o Marquinhos t\u00e3o logo cheguei \u00e0 minha morada de tr\u00eas semanas. \u201c\u00c9 o lugar mais quente da casa. 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