{"id":1760,"date":"2009-06-09T05:54:56","date_gmt":"2009-06-09T08:54:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cepa.blog.br\/?p=1760"},"modified":"2009-06-09T05:54:56","modified_gmt":"2009-06-09T08:54:56","slug":"jobim-das-selvas-ressurge-no-papel-de-especialista-em-desastres-aereos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/?p=1760","title":{"rendered":"Jobim das Selvas ressurge no papel de especialista em desastres a\u00e9reos"},"content":{"rendered":"<p><a title=\"Ver todos os posts em Direto ao Ponto\" href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/augusto-nunes\/secao\/direto-ao-ponto\/\">Direto ao Ponto<\/a> AUGUSTO NUNES<\/p>\n<p>4 de junho de 2009<\/p>\n<p>Com uma farda de guerreiro da floresta\u00a0no lugar do terno cinza-Bras\u00edlia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, invadiu\u00a0 Manaus no fim de 2007. Se tivesse um punhado de anos e algumas arrobas a menos,\u00a0provavelmente teria aparecido fantasiado de Tarzan. Como o calend\u00e1rio e a balan\u00e7a o aconselharam a contentar-se com a imita\u00e7\u00e3o de\u00a0Johnny Weissmuller j\u00e1 no crep\u00fasculo da carreira, infiltrou duas letras no prenome do her\u00f3i de cinema, transformou-se em\u00a0 Jobim das Selvas, proclamou que \u201ca Amaz\u00f4nia tem dono\u201d,\u00a0colocou em fuga uma tropa de saguis, reduziu uma sucuri de quartel a prisioneira de guerra, declarou-se vitorioso e\u00a0voltou a Bras\u00edlia. Mais um que n\u00e3o perde chance de ser rid\u00edculo, sorriu o pa\u00eds atormentado pelo apag\u00e3o a\u00e9reo a caminho do 1\u00b0\u00a0anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Oito meses antes, no discurso de posse, o combativo ga\u00facho decolou no quinto par\u00e1grafo com a excita\u00e7\u00e3o de um piloto de ca\u00e7a na metade da pista do porta-avi\u00f5es. At\u00e9 ent\u00e3o, tratara de\u00a0justificar a fama de doutor muito\u00a0sabido com a evoca\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios protagonizados por nomes de rodovias, ruas, pra\u00e7as e avenidas. A aula foi encerrada com a frase atribu\u00edda a Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do imp\u00e9rio brit\u00e2nico no fim do s\u00e9culo 19. \u201cNever complain, never explain, never apologise\u201d, caprichou.\u00a0Caridoso com os muitos monoglotas presentes, cuidou de traduzir: \u201cNunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, j\u00e1 no papel de\u00a0brigadeiro encarregado de livrar do colapso a\u00a0avia\u00e7\u00e3o civil,\u00a0arremeteu espetacularmente: \u201cAja ou saia, fa\u00e7a ou v\u00e1 embora\u201d. Formulada pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, a amea\u00e7a soou como um ultimato tremendo, quem tivesse culpa no cart\u00f3rio que se cuidasse, come\u00e7aria naquele momento\u00a0a\u00a0contra-ofensiva reclamada pelo pa\u00eds desde outubro de 2006. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo, flagelados dos aeroportos correram para os port\u00f5es de embarque,\u00a0nuvens fugiram\u00a0do c\u00e9u\u00a0\u2500\u00a0 at\u00e9 ficar claro que Jobim n\u00e3o prestara aten\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio berreiro. N\u00e3o agiu nem saiu. N\u00e3o fez mas ficou. S\u00f3 foi para a\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0brincar de encantador de sucuris na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Seis meses depois dos combates\u00a0na mata, cada vez mais\u00a0aflito com os sucessivos fiascos na guerra contra o apag\u00e3o, foi embora de novo,\u00a0agora para a Fran\u00e7a. No ver\u00e3o europeu de 2008, escoltado pelo ordenan\u00e7a Roberto Mangabeira Unger, ministro de problemas futuros,\u00a0Jobim baixou em Paris fantasiado de almirante, submergiu num\u00a0submarino, voltou \u00e0 terra firme para deslocar-se at\u00e9 Moscou, fez cara de fregu\u00eas exigente ao passar em revista a frota de submarinos russos, disse aos anfitri\u00f5es ansiosos que precisava pensar melhor no neg\u00f3cio e retornou ao Brasil.<\/p>\n<p>Sempre condescendentes, os compatriotas\u00a0inclu\u00edram Jobim na categoria dos inimput\u00e1veis, ao lado dos loucos mansos, dos\u00a0doidos de pedra e dos napole\u00f5es de hosp\u00edcio.\u00a0Livre de vigil\u00e2ncia, enfim\u00a0resolveu agir e fazer.\u00a0Negociou a venda de 300 m\u00edsseis ao Paquist\u00e3o, divorciado desde a inf\u00e2ncia da vizinha \u00cdndia e em permanente noivado com terroristas, reiterou que o Brasil n\u00e3o assinaria o tratado que pro\u00edbe a fabrica\u00e7\u00e3o de bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o e desapareceu nas coxias. \u00a0Voltou repentinamente ao palco a bordo do\u00a0acidente com a avi\u00e3o da Air France,\u00a0desta vez no papel de\u00a0especialista em desastres a\u00e9reos.<\/p>\n<p>\u201cA FAB detectou no mar uma faixa de cinco quil\u00f4metros com destro\u00e7os de um avi\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: s\u00e3o destro\u00e7os do avi\u00e3o da Air France\u201d, decretou durante uma espantosa entrevista coletiva.\u00a0\u201dO que estamos fazendo aqui \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o de sobreviventes, ou melhor, de restos\u201d, come\u00e7ou a prociss\u00e3o de atentados \u00e0 intelig\u00eancia, ao bom-senso e \u00e0 compaix\u00e3o.\u00a0\u201dAl\u00e9m dos corpos afundarem, a costa de Pernambuco tem o problema que voc\u00eas sabem\u201d, jogou a isca. Um jornalista mordeu:\u00a0era alguma refer\u00eancia a tubar\u00f5es? \u201cSim\u201d, respondeu Jobim, para produzir em seguida uma inveross\u00edmil disserta\u00e7\u00e3o sobre ruptura de abdomes. H\u00e1 dois anos,\u00a0Jobim\u00a0sabia apenas que\u00a0as poltronas dos avi\u00f5es deveriam ser bem mais largas.\u00a0\u00a0\u201dUm homem com o meu tamanho n\u00e3o cabe nelas\u201d, queixou-se. J\u00e1 aprendeu\u00a0um pouco mais, comprovou a entrevista. Mas n\u00e3o aprendeu a ter ju\u00edzo.<\/p>\n<p>Nem precisa aprender. No\u00a0Brasil imerso na\u00a0Era da Mediocridade,\u00a0sensatez\u00a0virou coisa de tempos remotos.\u00a0Tanto assim que um Nelson Jobim foi deputado federal, chefiou o\u00a0Supremo Tribunal Federal, hoje\u00a0\u00e9 ministro da Defesa e continua sonhando com a presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Por que n\u00e3o?<\/p>\n<div class='watch-action'><div class='watch-position align-left'><div class='action-like'><a class='lbg-style2 like-1760 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='like' data-post_id='1760' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Like' \/><span class='lc-1760 lc'>0<\/span><\/a><\/div><div class='action-unlike'><a class='unlbg-style2 unlike-1760 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='unlike' data-post_id='1760' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Unlike' \/><span class='unlc-1760 unlc'>0<\/span><\/a><\/div> <\/div> <div class='status-1760 status align-left'><\/div><\/div><div class='wti-clear'><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direto ao Ponto AUGUSTO NUNES 4 de junho de 2009 Com uma farda de guerreiro da floresta\u00a0no lugar do terno cinza-Bras\u00edlia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, invadiu\u00a0 Manaus no fim de 2007. 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