{"id":1919,"date":"2009-07-06T09:47:28","date_gmt":"2009-07-06T12:47:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cepa.blog.br\/?p=1919"},"modified":"2009-07-06T09:47:28","modified_gmt":"2009-07-06T12:47:28","slug":"excessos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/?p=1919","title":{"rendered":"Excessos"},"content":{"rendered":"<p>Eduardo de Almeida Reis &#8211; Pena Capital  (segunda 6\/julho)<\/p>\n<blockquote><p>A morte de um \u00eddolo \u00e9 normal. \u00c9 tamb\u00e9m normal que seus f\u00e3s fiquem chocados com a not\u00edcia. Mais que normal \u00e9 o fato de os meios de comunica\u00e7\u00e3o, refletindo o sentimento de seus leitores, ouvintes e telespectadores, noticiarem a morte do \u00eddolo.<br \/>\nOnde o excesso? Na overdose. N\u00e3o bastasse o Demerol, rem\u00e9dio que o rapaz tomava para livrar-se das dores provocadas por seus movimentos, temos tido superdose de cobertura midi\u00e1tica.<br \/>\nHesitei antes de abordar o assunto, pelo seguinte: pautado pela editoria de um caderno especial \u2013 oito p\u00e1ginas em cores \u2013  escrevi sobre o acidente com os Mamonas Assassinas.<\/p>\n<p>Consegui arranjar inimigos na reda\u00e7\u00e3o pelo resto dos meus dias.<\/p>\n<p>Qual foi o meu crime? Afirmei que ficava triste com a not\u00edcia de um desastre que ceifou tantas vidas jovens, de mesmo passo em que disse que nunca, jamais, em tempo algum, ouvira falar dos Mamonas. At\u00e9 posso ter ouvido numa r\u00e1dio refer\u00eancia r\u00e1pida ao conjunto musical, mas n\u00e3o me interessei pela m\u00fasica dos rapazes.<\/p>\n<p>Pra qu\u00ea?! Publicado o caderno especial, quando voltei \u00e0 reda\u00e7\u00e3o dias depois (morando noutra cidade, mandava as mat\u00e9rias pelo fax), encontrei uma por\u00e7\u00e3o de inimigos de inf\u00e2ncia, desafetos figadais, que devem ter achado um crime desconhecer a exist\u00eancia dos Mamonas. E olhem que lamentei, sinceramente, a morte dos jovens, embora n\u00e3o os conhecesse.<\/p>\n<p>Conheci Michael Joseph Jackson atrav\u00e9s da tev\u00ea e das hist\u00f3rias que li nos jornais. Nada tinha contra o astro, muito antes pelo contr\u00e1rio, ali\u00e1s. Mas acho que a m\u00eddia \u2013 e vou arranjar novos inimigos figadais \u2013 vem exagerando na cobertura. Dias inteiros, telejornais inteiros, primeiras p\u00e1ginas de todos os jornais do planeta. Um deles, editado no Rio, logo na manh\u00e3 seguinte estampou em letras garrafais: \u201cNasceu preto, ficou branco, virou cinza\u201d. Manchete impiedosa, mas  engra\u00e7ada.<\/p>\n<p>Para ser justa, a imprensa deveria dedicar \u00e0 morte de um benfeitor da humanidade a mil\u00e9sima parte da cobertura dada a Jackson. N\u00e3o digo a cent\u00e9sima; a mil\u00e9sima j\u00e1 seria mais que justa. Lembro o nome de um judeu casado com brasileira, o doutor Albert Bruce Sabin, falecido em 1993. Gra\u00e7as a ele, Sabin, inventor da vacina contra a poliomielite, Jackson e seus irm\u00e3os do Jackson Five puderam encantar o p\u00fablico. Assim como eles, milh\u00f5es de outras criaturas foram salvas da p\u00f3lio pela vacina do doutor Sabin, aperfei\u00e7oando a vacina do doutor Jonas Edward Salk.<\/p>\n<p>Sabin nasceu na Pol\u00f4nia e emigrou para os Estados Unidos aos 15 anos, onde fez carreira. Sua morte mereceu a ingratid\u00e3o de pequenas notas nos jornais, quando deveria merecer todas as primeiras p\u00e1ginas em tipos gra\u00fados.<\/p>\n<p>Na morte de Jackson tivemos at\u00e9 a not\u00edcia de que sua m\u00e3e, a senhora Jackson, fora vista dois dias depois fazendo compras num supermercado. E mais, e mais, e muito mais \u2013 numa orgia noticiosa que, no meu entendimento, ultrapassa todos os limites da l\u00f3gica e do bom senso.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima not\u00edcia, quando rabisco estas linhas, dava conta da constru\u00e7\u00e3o na Bahia, por um grupo de empres\u00e1rios negros, de um monumento a Michael Jackson. Homenagem paradoxal a um cidad\u00e3o que fez mil tratamentos para ficar branco. Deveria ser odiado pelos de sua etnia, mas \u00e9 idolatrado e homenageado com um monumento. N\u00e3o entendo mais nada. Nem \u00e9 para entender mesmo.<\/p><\/blockquote>\n<div class='watch-action'><div class='watch-position align-left'><div class='action-like'><a class='lbg-style2 like-1919 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='like' data-post_id='1919' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Like' \/><span class='lc-1919 lc'>0<\/span><\/a><\/div><div class='action-unlike'><a class='unlbg-style2 unlike-1919 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='unlike' data-post_id='1919' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Unlike' \/><span class='unlc-1919 unlc'>0<\/span><\/a><\/div> <\/div> <div class='status-1919 status align-left'><\/div><\/div><div class='wti-clear'><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo de Almeida Reis &#8211; Pena Capital (segunda 6\/julho) A morte de um \u00eddolo \u00e9 normal. \u00c9 tamb\u00e9m normal que seus f\u00e3s fiquem chocados com a not\u00edcia. 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