{"id":3669,"date":"2011-02-01T09:03:51","date_gmt":"2011-02-01T12:03:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cepa.blog.br\/?p=3669"},"modified":"2011-02-01T09:03:51","modified_gmt":"2011-02-01T12:03:51","slug":"esclarecimento-sobre-o-termo-presidenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/?p=3669","title":{"rendered":"Esclarecimento sobre o termo PresidentA !"},"content":{"rendered":"<p>Recebi um coment\u00e1ri sobre o post PresidentA que coloquei aqui no blog ha um tempo. Achei muito legal a coloca\u00e7\u00e3o da minha leitora Mercedes e por isto resolvi postar o coment\u00e1rio como um post para que todos possam le-lo.<\/p>\n<p>Conhecimento nunca \u00e9 demais ! Obrigado Mercedes e Delinha !<\/p>\n<blockquote><p>Recebi o texto em quest\u00e3o e, minha amiga e professora Delinha, Mestre em Lingu\u00edstica, se deu ao trabalho de comentar o seguinte:<br \/>\nUM POUCO MAIS DE \u201cCULTURA LINGU\u00cdSTICA\u201d PODER\u00c1 NOS FAZER PENSAR\u2026<\/p>\n<p>Julguei excelente esse texto (concordo: Essa \u00e9 boa!), por uma \u00fanica raz\u00e3o: ele permite que n\u00f3s, linguistas, trabalhemos um posicionamento baseado, por exemplo, na Sociolingu\u00edstica (sub\u00e1rea da lingu\u00edstica cuja vis\u00e3o enxerga a l\u00edngua como produto de intera\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos, portanto pass\u00edvel de varia\u00e7\u00f5es). E mais: essa vertente n\u00e3o trata a l\u00edngua em tom de preconceito ou como se houvesse uma \u00fanica possibilidade de uso \u2013 uma s\u00f3 forma de nomear os seres que comp\u00f5em o universo lingu\u00edstico (refer\u00eancia ao l\u00e9xico de circula\u00e7\u00e3o). Observemos, por exemplo, a import\u00e2ncia que ganharam os atlas lingu\u00edsticos nessas \u00faltimas d\u00e9cadas. Uma das raz\u00f5es poss\u00edveis poderia ser: a diversidade de falares do nosso povo tornou relevante um mapeamento dessa real situa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, para ampliar o conhecimento das possibilidades de uso por parte dos cidad\u00e3os, que habitam as diferentes regi\u00f5es do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Analisemos um primeiro aspecto dessa abordagem: se observarmos, atentamente, at\u00e9 mesmo sem muita no\u00e7\u00e3o das teorias lingu\u00edsticas; perceberemos existir duas variantes lingu\u00edsticas concorrentes, no Brasil, para o g\u00eanero dessa palavra: presidente \/ presidenta. E elas disputam espa\u00e7o, nesse momento hist\u00f3rico, em que um partido, nascido do \u00fatero popular desta na\u00e7\u00e3o, encontra-se no poder; portanto necess\u00e1rio reconhecermos maior informalidade nos textos constru\u00eddos por membros do PT, ou seja, da popula\u00e7\u00e3o (hip\u00f3tese: origem popular). E mais: verificaremos \u2013 caso estejamos de posse dessa informa\u00e7\u00e3o \u2013 que os g\u00eaneros textuais em que essas duas palavras circulam s\u00e3o, principalmente, a entrevista e o discurso pol\u00edtico, os quais, no \u00e2mbito da sua constru\u00e7\u00e3o, carregam fortes marcas da oralidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, se pensarmos a l\u00edngua como uma forma fixa, de uma \u00fanica face, pr\u00e9-determinada, sem atua\u00e7\u00e3o do falante; enfim, est\u00e1tica \u2013 escolheremos a primeira flex\u00e3o: \u201cpresidente\u201d. Mas essa escolha poder\u00e1 ter, no m\u00ednimo, tr\u00eas motiva\u00e7\u00f5es: uma vis\u00e3o limitada sobre possibilidades de uso da l\u00edngua; uma postura preconceituosa de que exista uma \u201cforma correta de falar\u201d; ou, ainda, a necessidade de nos basearmos em um contexto que exija de n\u00f3s maior grau de formalidade.<\/p>\n<p>E se for essa \u00faltima ideia a respons\u00e1vel por nortear nossa escolha vocabular; conceberemos a l\u00edngua como produto de rela\u00e7\u00f5es sociais e concentraremos aten\u00e7\u00e3o no ato interativo-textual. E, nesse caso, o uso dessa palavra n\u00e3o se basear\u00e1 apenas na rigidez da l\u00edngua escrita (at\u00e9 porque essa palavra circula em dois n\u00edveis: fala e escrita; com predomin\u00e2ncia da primeira \u2013 a fala) como aconteceu na entrevista de Bonner com Dilma Rousseff, no Jornal Nacional, no dia primeiro de novembro de 2010; mas tamb\u00e9m no contexto de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, podemos tomar por recurso um argumento de autoridade. Um dos mais ilustres fil\u00f3logos desse idioma, na forma brasileira de uso, no Dicion\u00e1rio Houaiss da L\u00edngua Portuguesa (HOUAISS, 2001, p\u00e1g. 2.292) apresenta entrada para o verbete \u201cpresidenta\u201d com a seguinte explica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>presidenta s.f. 1. mulher que se elege para presid\u00eancia de um pa\u00eds [a.p. da Nicar\u00e1gua]. 2. mulher que exerce o cargo de presidente de uma institui\u00e7\u00e3o [a.p. da Academia de Letras]. 3. mulher que preside (algo) [a.p da sess\u00e3o do congresso]. 4. p. us. esposa do presidente *ETIM fem. de presidente . Ver sed(i) &#8211;<\/p>\n<p>Falta-nos entender que n\u00e3o podemos sair por a\u00ed espalhando ideias que n\u00e3o se sustentam dentro do contexto atual de estudos da nossa l\u00edngua. E mais grave: sem assumirmos autoria pelas opini\u00f5es que fazemos circular (ref. direta \u00e0 autoria do texto; n\u00e3o a quem me enviou este e-mail) \u2013 o que demonstra desrespeito com quem pesquisa os usos da l\u00edngua portuguesa brasileira.<\/p>\n<p>Todavia, nem tudo se perde nesse universo de ignor\u00e2ncia, pois o e-mail recebido instigou-me \u00e0 reflex\u00e3o; fez-me pensar nessa vis\u00e3o amadora e contra-argumentar, primeiramente, em defesa da nossa \u201cpresidenta\u201d \u2013 a mulher mais importante, em 2010, por ter conquistado o mais elevado cargo pol\u00edtico dessa na\u00e7\u00e3o; depois, em defesa da l\u00edngua (se \u00e9 que ela clama por defesa), pois \u201cum pouco de pesquisa s\u00f3 melhora a forma de interpretar o mundo da palavra escrita ou falada\u201d. Enfim, tomei essa iniciativa pelo prazer de me contrapor a esse olhar de castra\u00e7\u00e3o do conhecimento (sem base argumentativa aceit\u00e1vel) por considerar-me livre de preconceito lingu\u00edstico; por acreditar na voz de milh\u00f5es de brasileiros e, principalmente, por acreditar na atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica futura dessa mulher, na esperan\u00e7a em dias melhores para o nosso pa\u00eds; para \u201cseguirmos mudando\u201d para uma partilha mais justa de direitos.<\/p>\n<p>Enfim, sendo a l\u00edngua um objeto de estudo dependente do tempo, do espa\u00e7o, da escolaridade, da condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram os interlocutores; essa ideia defendida, abaixo \u2013 no texto desse autor enigm\u00e1tico (porque n\u00e3o h\u00e1 nome do autor) \u2013 demonstra ser preconceituosa; destitu\u00edda de embasamento cient\u00edfico \u2013 portanto, n\u00e3o merece ser deixada de lado, sem que, contra ela, nos posicionemos.<\/p>\n<p>Obrigada pela aten\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Delinha<\/p><\/blockquote>\n<div class='watch-action'><div class='watch-position align-left'><div class='action-like'><a class='lbg-style2 like-3669 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='like' data-post_id='3669' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Like' \/><span class='lc-3669 lc'>0<\/span><\/a><\/div><div class='action-unlike'><a class='unlbg-style2 unlike-3669 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='unlike' data-post_id='3669' data-nonce='53cf5754b0' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/www.marceloempessoa.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Unlike' \/><span class='unlc-3669 unlc'>0<\/span><\/a><\/div> <\/div> <div class='status-3669 status align-left'><\/div><\/div><div class='wti-clear'><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi um coment\u00e1ri sobre o post PresidentA que coloquei aqui no blog ha um tempo. 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